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26 de novembro de 2011

Linhas da Vida


Escrevo e rasgo porque já não há muita coisa a coisa a ser dita
Meu mundo deu voltas e
Não encontrei o que eu queria
Porque o que eu queria, na verdade, já não era meu
E quando foi não aproveitei por toda a vida.


Um amor que eu plantei,
Reguei e jamais esvaeceu
Hoje, sinto que, aos poucos, não é mais meu,
Como um dia que de repente escureceu
Eu me vi perdido, mas completamente seu.


Decidi ir até a curva buscar um paraíso qualquer,
Tomar um banho de chuva com você, meu bem me quer,
Ver um pôr-do-sol, dormir abraçadinho,
Mas a distância não te deixa receber meu carinho.


E o tempo sempre traiçoeiro
Deu um jeito de te levar ligeiro
Para braços que não eram meus
E mesmo sem querer que o tempo seja passageiro, meu bem,
Talvez o ontem seja tarde e o amanhã cedo demais.


Mas não se prenda ao passado triste
A esperança em nós ainda existe
E o tempo que te levou daqui
Pode, um dia, ser o mesmo que trará de volta pra mim.

                                                                Raíssa Bahia


Licença Creative Commons
This work is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 2.5 Brasil License.

12 de novembro de 2011

Amor de Caixinha

E de repente eu sinto que só o vazio me completa, quem inventou o amor não avisou que ele dói tanto quando acaba. Que difícil ter que me acostumar de repente sem você. Quando decidimos ficar juntos foi uma decisão justa, era um momento nosso, foi por querermos. Agora vais embora, assim de repente e eu tenho que dar meu jeito de me acostumar sem você. Se eu soubesse que seria assim, eu não teria te entregado a minha alma, o meu amor e,principalmente, a minha caixinha.
É, só você sabe o que tinha na minha caixinha, eu te pedi pra cuidar, lembra? Eu não preciso dizer em que estado você me devolveu. Não te ensinaram a ter cuidado com as coisas dos outros? Não se tira do lugar a caixinha de ninguém sem comprometer-se a cuidar dela com todo o zelo como se fosse sua pra sempre, por toda a sua vida.

“hoje, cuidar do teu coração é o mesmo que cuidar do meu
te ver bem é me ver bem
tua felicidade é a minha
te quero bem o quanto eu quero bem a mim
nessa caixinha não tem só um coração... tem dois em um,
e o meu, nas tuas mãos, nunca foi tão bem cuidado...”

Um dia você me disse que me cercou, me prendeu, me acorrentou e me deixou em prisão perpétua, que era o mais feliz e mais completo, me pediu pra sonhar com você, me pediu pra jamais largar a tua mão, disse que quando ferisse curaríamos juntos, disse que eu era teu presente, o maior de todos, o melhor de todos, que nossos corações jamais se separariam.
Limites? Me fizeste acreditar que não teríamos. Eu tive certeza de que nada nos atrapalharia, que o teu amor era maior que o meu, e que ele era todo, inteiro e incondicionalmente meu, planejamos natais e dias comuns, disse que teríamos uma história linda pra contar, que eu era o amor de sua vida, que por mim acordarias às 6h da manhã sem reclamar.
Ouvi você dizer que eu era a segurança que você não tinha, a coragem que você não conseguia, o sentimento que você nunca imaginou ter e isso tudo era pleno, honesto e recíproco. Te ouvi dizer que eu era a rainha dos teus pensamentos, a rainha da tua vida...
E de todas as tuas promessas, espero que ao menos aquela em que te pedi para nunca esquecer o quanto te amava, seja cumprida. Disseste exatamente assim: “Nunca vou esquecer, nem se eu perder a memória, meu amor. És a minha vida.” 

Fonte imagem: http://carolamontoro.blogspot.com


"Quando se entrega a sua caixinha a um ser único no mundo, ela passa a ser dele pra sempre..."

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26 de abril de 2011

Meu erro!

A vida é regida por tantos porquês que, na verdade, por mais experiências que ela nos dê, sempre é concedido mais espaço para mais perguntas e, a maioria delas, mesmo que o tempo passe, não conseguimos responder de forma satisfatória. Sempre me pego pensando na razão de certas coisas acontecerem, e minha última fuga, foi para tentar entender o porquê das pessoas aparecerem em nossas vidas, permanecerem nela até se tornarem essenciais e importantes, e depois saírem, sem dar explicações, ou usando as justificativas mais bobas e inacreditáveis do mundo.

Eu sempre me esforcei para ser boa em tudo o que fazia e, se eu podia ser boa, porque não tentar ser a melhor? A melhor filha, a melhor amiga, a melhor companhia... E então, aparece alguém que te faz querer ser melhor, você arrisca, brinca, joga e faz tudo o que pode para fazer o outro feliz, para ver um sorriso estampado na cara a todo o instante e um brilho distinto nos olhos.  De repente, sem mais nem menos, esse alguém decide se afastar, depois de dividirem tantas coisas juntos, risos, choros, aprendizados e chega a hora de dizer adeus.

O que demora a ser compreendido, pelo menos por mim, é que, partindo do pressuposto que, qualquer relacionamento é construído por duas pessoas, no mínimo, e que decisões como essas, deveriam partir de um denominador comum e não ser iniciativa de um dos lados. Pergunta-se, mais uma vez: onde está o erro, em mim, em você, nele? Quem responde?

O significado dos erros eu já entendi, aprendi que nós somos como pedras brutas, precisamos de lapidações ao longo de uma trajetória, e os erros são as ferramentas que vida utiliza, para que nós sejamos, em essência, lapidados em todos os sentidos e a todo o instante. A vida não teria graça se não houvesse um errinho aqui e outro alí, mas um afastamento repentino e sem justificativa pra mim, é fuga. Fugir do quê, eu ainda não sei, mas acho que essa é só mais uma pergunta que vai ficar sem resposta ou que o tempo se encarregará de responder.

É nessas horas em que eu sinto falta da minha infância, em que desfazer algumas amizades era bem mais fácil que hoje, eu estabelecia laços bem menos firmes e me envolvia bem menos com as pessoas, meus amigos estavam ao meu lado para dividir comigo sempre, e não tinham problemas tão graves para resolver, não se afastavam de forma tão drástica, e eu posso até estar parecendo uma menina mimada, mas admito que se isso acontecesse há quinze anos atrás, eu não discorreria em uma linha sequer, era um caminho seguro.

O pior e mais doloroso sentimento, nasce quando a causa de decepção parte daquelas pessoas que jamais imaginaríamos que nos machucariam, daquelas pessoas que olhávamos nos olhos e pensávamos: "Essa pessoa, nunca vai me machucar, nunca vai me ferir..." e de repente, elas te dão as costas. Família, é família e nunca vai deixar de ser,  um dia tudo volta ao eixo. Quanto aos amigos, às vezes por mais que achemos que os conhecemos bem, ainda é possível se surpreender com eles, mas se achamos que eles valem a pena, nos resta esperar até que eles se dêem conta e voltem para dizer, ao menos: "Desculpe, o erro foi meu."
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