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21 de novembro de 2011

Fogo! - Final

     Ao chegarem no apartamento ao qual estavam hospedados, os pais de Benjamin conversaram sobre as possibilidades de adotar Thomas. Benjamin despertou neles um sentimento diferente a tudo que era relacionado ao menino do elevador, e um irmão para o filho com a mesma idade seria maravilhoso.
        Precisavam amadurecer a idéia de adoção, pensar nos procedimentos pra realização da mesma, decidiram dormir e conversar com os meninos no dia seguinte sobre o assunto. Algumas horas depois, todos foram acordados por gritos e correria, o alerta de incêndio do hotel disparava incessantemente, hóspedes corriam desesperadamente de um lado para o outro buscando a saída, gritando:

-Fogo! Fogo!

       O gerente do Hotel os pedia calma, entretanto nem ele conseguia esconder a aflição e nervosismo. Ninguém sabia de onde o fogo estava surgindo, a fumaça negra se alastrava por todo o lugar. Alguns minutos depois e todos estavam a salvo fora do hotel, enquanto os bombeiros tentavam contornar a situação.

- Problemas com a parte elétrica – Foi a única informação que os bombeiros deram ao gerente do hotel. Todos queriam saber onde surgira o incêndio, até que alguém disse:

- No elevador, começou no elevador!

        Depois de alguns instantes, o capitão do corpo de bombeiros sai do hotel com a única vítima do incêndio nos braços. Uma criança que sofreu queimaduras graves e estava ali, morta, em seus braços. O menino chamava-se Thomas, ela dormia no elevador desativado enquanto as chamas do incêndio lhe consumiam.


Fonte Imagem: noticias.terra.com.br


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20 de outubro de 2010

O homem que cospe fogo

Lembro como se fosse ontem. Aquele domingo foi especial, tinha 6 anos e um sonho: conhecer o circo. Eu me lembro claramente de ter visto na tv um programa sobre o circo, e todo aquele universo me fascinou, como toda criança merece ser fascinada. Aquelas luzes, aqueles homens engraçados de caras pintadas que conseguiam fazer algo de beleza ímpar, como arrancar os mais sinceros sorrisos, que são os de uma criança. Ficava absurdamente espantado com aquelas pessoas voando, voando... mas não caindo. Porém, o que mais me chamou atenção foram uns caras que cuspiam fogo. Fogo. Curiosidade infantil, foi inevitável. Essa foi a deixa pros meus pais me levarem ao circo pela primeira vez.
Por sorte havia um circo na cidade, um circo famoso, desses conhecidos no país inteiro. Ali haveria de ter o homem que cospe fogo. No caminho, abelhudo como só eu, perguntava insistentemente ao meu pai:

- Como o homem consegue cuspir fogo, pai?

- Ah, filho, eles nasceram sabendo, respondeu dirigindo, dando pouca atenção.

Na minha mente de recém saído das fraldas, pensei um pouco e, meio triste por não ter o mesmo dom, confesso, pensei logo naquilo como um super-poder. A vontade de chegar aumentava, enquanto o circo se aproximava.

E abriram-se as cortinas, o espetáculo começou. Aquilo tudo era mágico, era como estar na Terra do Nunca ou algo assim. As cores pareciam mais coloridas do que pela televisão, a música soava melhor, os palhaços eram mais engraçados. Aquelas trapalhadas, quanto riso, quanta alegria!

Homens ou pássaros? Aquele balé nos ares, perfeição celestial, beleza especial. Voavam dançando, dançavam voando, era realmente impressionante. Mas nem tudo isso nem a grandeza dos leões e dos elefantes tiravam o meu foco dos cuspidores de fogo. Nem eu sabia o por que, nem me importava em saber. Só queria mesmo ver aqueles super-heróis que domavam o que pra mim era indomável. Enfim, eles apareceram.

Meus olhos pareciam não acreditar ainda no que viam. Embaçados, meio embargados, mas suficientemente claros pra me permitir guardar lindas lembranças daquele sonho realizado. Não lembro se aquele era o último número do espetáculo, se não era, não consegui ver nada depois. Saí paralisado, vidrado, extasiado. No caminho de volta pra casa, porém, algo me chamou a atenção, me trouxe de volta ao mundo real.

Quando o carro parou, em um sinal qualquer da cidade, vi dois meninos, crianças, pararem na frente do carro. Uma delas jogava bolinhas para o ar, sem deixar nenhuma cair – ainda não tinha uma noção decente sobre malabarismo. Já o outro... cuspia fogo. Colei meu rosto na janela ao lado da minha mãe, que se assustou. Era um super-herói fora do circo. Nossa! Mas de repente, ele parou e veio em direção ao nosso carro. Aí notei algo curioso. O menino se vestia mal, estava sujo e sofria, cansado, dava pra ver no seu olhar. Ele bateu na janela do meu pai e estendeu a mão, assim como o outro garoto, em outro carro. Mas meu pai não deu atenção. Eu dei.

O sinal abriu, o carro seguiu, e eu via os meninos, em especial o menino que cuspia fogo, se distanciando. Perguntei ao meu pai:

- Pai, ele cospe fogo, ele trabalha no circo?

- Não, meu filho.

- E por quê ele não ta no circo, pai?

- Porque nem todos tem essa sorte, querido, interferiu a minha mãe.

Naquela hora eu não entendi o que minha mãe quis dizer com “essa sorte”, apenas fiquei pensando naquele garoto, vestido tão diferente daqueles homens do circo. Sem brilho, sem maquiagem, sem máscaras.

Alguns anos e certa experiência depois, começava a assimilar as idéias. Já tinha 18 anos, namorava, era universitário, e resolvi sair. Era sábado, e havia um circo na cidade. Ali era uma oportunidade de voltar ao mundo circense depois de muitos anos. Porém, o espetáculo não me parecia tão espetaculoso. Os palhaços não eram mais tão engraçados, os leões não eram mais tão grandes. Era inevitável, o brilho dos meus olhos não chegavam perto daquele de 12 anos atrás. Até que um número me levou de volta à infância. Os cuspidores de fogo.

Poucas coisas me inebriaram tanto quanto aqueles homens. Minha idade não me permitia mais acreditar em um super-poder, mas ali a minha idade não era 18. Era 6. Foi tão mágico quanto da primeira vez. Voltei impressionado, até mais que meu sobrinho de 7 anos que foi ao circo comigo. Voltando pra casa, a história se repetiu. Dessa vez era um só rapaz, devia ter uns 13, que parou em frente ao meu carro, cuspindo fogo. Tudo parou. Ali eu era o meu pai, e me vi no meu sobrinho. O garoto foi chegando... e bateu na minha janela. O quê eu iria fazer? Meu sobrinho perguntou:

- Tio, por quê ele ta batendo na sua janela? O que ele quer?

Não consegui responder. Mas pensei. Ele quer só dinheiro? Não, ele quer mais. Ele quer um almoço, um jantar, uma roupa limpa. Ele quer um futuro. Direito dele, dever nosso, é só uma criança, não merecia estar ali. Baixei o vidro do carro e dei algumas moedas, nem contei quantas. Era pouco. Depois que o sinal abriu, parti com o carro, quando olhei pelo retrovisor nos olhos do meu sobrinho. Outra criança. Espantado, meio triste, ele indagou, não pra mim diretamente, mas pra ele mesmo, que não tinha condições de responder:

- Por quê ele não ta no circo?

Sussurrei pra mim mesmo:

- Nem todos tem essa sorte.

Hoje eu consigo entender o por quê. Mas preferia não entender.

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Homenagem a Gustavo Ferreira,uma pessoa muito importante e especial em minha vida. Parte do que sou hoje devo a ele, que sempre me ajudou em minhas conquistas, que me apoiou em cada momento ruim e os tranformou em sorrisos, que inconscientemente me ensinou muitas lições, que sempre torceu por mim e  sei que sempre vai estar ao meu lado. Ele é um ombro sempre amigo, um abraço sempre aberto e um carinho realmente sincero. Ele é o responsável pelo Etc&Tal , e cedeu humildemente esse texto maravilhoso de sua autoria para nós, Espero que gostem! Obrigada, Coração, te adoro.

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