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12 de janeiro de 2011

O sabor da vingança - Parte I

Victória e Pedro eram um casal apaixonado. Conheceram-se na adolescência por meio de uma amiga em comum e pouco tempo depois começaram a namorar. O amor dos dois era algo de dar inveja a qualquer casal. Era um excesso de carinhos, de cumplicidade, de companheirismo e, é claro, amor. Eles não se desgrudavam um instante sequer, a vida dos dois era algo que já estava a um passo de se tornar uma só. Tudo que Victória fazia, Pedro sabia e tudo que Pedro fazia, Victória sabia, ou pelo menos achava que sabia.

Como nem tudo é um mar de rosas, nem todos os excessos dessa relação eram positivos. O ciúme excessivo de Pedro era algo que todos percebiam, mas Victória cada vez mais envolvida, apaixonada e submissa nunca deu muita importância a isso, de certa forma isso era uma prova de que Pedro tinha medo de perdê-la e isso a deixava feliz.

Pedro tinha ciúmes das roupas, dos perfumes, dos acessórios e tudo o que Victória representava. Todos os gestos eram reprimidos, o velho passeio entre amigas com direito a compras e cinema, foi algo que ela teve que colocar como carta fora do baralho. Sair? Só com Pedro, afinal, era com ele que ela passaria o resto de sua vida, então que necessidade teria ela em sair com outras pessoas? No entanto, ela nunca foi de fazer cobranças e sempre que ele queria sair com os amigos para o futebol ela deixava, e o deixava ir só.

Victória aceitava todas as condições. Era jovem demais e sua falta de “maturidade” para encarar relacionamentos já lhe fizera perder um “grande amor”, portanto, manter o relacionamento com Pedro era bem mais que uma questão de buscar a felicidade, era uma questão de honra. Ela não podia deixar outro “amor” escorrer por suas mãos e escapar por entre seus dedos.

Um ano de namoro, ela vibrava com aquilo, suas amigas nunca conseguiram isso, tudo estava a mil para uma super comemoração. Victória escolheu a melhor roupa para sair com Pedro, e o esperou para que eles fossem ao lugar que ele quisesse. Pouco tempo depois, chega Pedro, com uma caixa de chocolates em forma de coração nas mãos, e o coração de Victória pulsava de alegria.

Antes de saírem, Pedro pediu a ela que sentasse para conversar. Ela esperava uma surpresa grandiosa, e teve. Pedro contou que a havia traído, com uma prima dele que passava um tempo em sua casa e, não foi apenas uma vez. O dia perfeito de Victória acabou ali e o fim do relacionamento dos sonhos também. Ela decidiu acabar tudo, seu ego estava ferido, sua honra mais ainda. Ela que sempre foi fiel, que nunca havia pensado em traição e que havia dedicado os últimos meses a fazer o relacionamento dar certo e ser perfeito, fora traída sem o menor pudor e ele nem sequer fez questão de poupá-la.


19 de novembro de 2010

Amiga da onça




Camilla e Thereza eram grandes amigas, se conheceram na escola e pouco tempo depois já estavam tão íntimas que trocavam boas e belas confidências, faziam tudo juntas, uma vivia na casa da outra, iam para as festas, compras no shopping, ou mesmo um simples passeio de domingo. Eram um exemplo clássico de melhores amigas.

Thereza, na verdade, nutria alguns sentimentos não tão bons por Camilla, e um deles era uma inveja sem precedentes, que era perceptível aos olhos do mundo, menos aos olhos de Camilla, sua melhor amiga jamais teria coragem de traí-la e como Thereza lidava fácil com a falsidade, adquirir a confiança de Camilla nunca fora tão fácil. Camilla confiava à Thereza segredos que nem a sua irmã mais velha sabia.

Tudo corria bem, a inveja de Thereza baseava-se apenas nas roupas, acessórios, sapatos e personalidade de Camilla, até que um dia Camilla contou à Thereza sobre Matheos, um menino pouco atraente, magrelo, que usava óculos fundo de garrafa, tímido e pouco sábio, mas que para ela era o moreno mais lindo que havia no mundo.

Matheos não era o modelo de homem perfeito, mas apesar de tímido, tratava Camilla com carinho, com cuidados e atenção, lhe dava flores, lhe mandava mensagens diárias, lia poemas e a pobre menina não resistiu aos seus encantos, que iam bem além da beleza exterior, disso se pode ter plena certeza.

Não fez cerimônia, Thereza foi a primeira a saber da paixão e do novo affair de Camilla, e não perdeu tempo para pedir os contatos de Matheos, afinal queria ajudar Camilla na conquista. Com essa desculpa, Thereza passou a ligar para Matheos, ligações que,no início, tinham Camilla como assunto principal, porém o tempo foi passando, assim como Camilla, que já não fazia parte das conversas dos dois.
 
Nos encontros com Matheos, Thereza sempre fazia questão de acompanhar Camilla para dar-lhe “apoio moral”, assim que ele chegava, Thereza fazia questão de deixar a amiga de lado e completamente deslocada na conversa, nunca os deixando a sós, e não satisfeita sempre dava um jeito de apontar os defeitos de Camilla.

Camilla, sempre inocente, acreditava que cada palavra dita pela amiga a Matheos era para ajudá-la, mas não imaginava que o que acontecia entre eles estava além daquelas conversas, eram ligações em plena madrugada, mensagens em que o assunto era qualquer outro diferente de Camilla.

Passaram-se dois meses, e Matheos já não era o mesmo com Camilla, ela não recebia mais as mensagens diárias, não era correspondida nas que mandava, nada de poemas, nada de flores, e as ligações eram escassas e rápidas, não entendendo o que acontecia, Camilla confidenciava à melhor amiga cada crise do relacionamento dos dois, o namoro que Camilla sempre sonhou estava cada vez mais distante, ela implorava a ajuda da amiga que, por sua vez, aparentava acompanhar a amiga na tristeza e dizia que queria estar no lugar dela para não vê-la sofrer daquele jeito, enquanto na verdade estava feliz pelo o que acontecia entre os dois, ou melhor, não acontecia.

Camilla fazia curso de violão aos sábados, mas por ironia do destino, o professor faltou e Camilla resolveu acompanhar a irmã em um passeio ao shopping. Cinema, as duas decidiram, optaram por uma comédia romântica, há tempos Camilla não ria, só ela sabia como o seu coração estava em cacos, um filme não colaria os pedaços, mas talvez a fizesse esquecer por alguns minutos o pensamento em Matheos e sua indiferença.

A irmã de Camilla, Victória, sempre preferia sentar nos últimos lugares, e Camilla acompanhou sua escolha, acomodaram-se e ficaram á espera do apagar das luzes, até que Victória diz: 

- Olha Camilla! Não é a Thereza?

Camilla olhou na direção em que a irmã apontava com um sorriso gigante nos lábios, que durou cerca de dois segundos, ou menos,para ser desfeito. Era Thereza, realmente, carregando em uma das mãos uma rosa, enquanto com a outra segurava firmemente a mão de Matheos. 

Os dois sentaram poucos assentos à frente de Camilla, mas encantados e apaixonados como estavam, não viam ninguém ao redor, porém Camilla os podia ver perfeitamente, tanto que viu durante todo o filme as carícias, os beijos e risos que os dois davam juntos.

Victória até tentou, mas a irmã não quis lhe dar nenhuma explicação a respeito do que estava acontecendo, Camilla chorou durante o filme todo, enquanto o cinema gargalhava. Era para ser apenas mais uma comédia romântica, mas foi o maior drama da vida de Camilla.
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